Bem-vindo a Guebuzistão.
Deixe-me, em primeiro lugar e com toda sinceridade, felicitar a Frelimo e o seu respectivo candidato, e também os membros e simpatizantes pela vitória. Importa referir que, de certa maneira, a mesma reflecte a organização e a vontade de povo.
Entretanto, porque os números falam por si, tenho de reconhecer - sem dor, mas com afecto - que é uma vitória esmagadora. Humilhação política. Para estupefação dos analistas políticos e dos prognosticadores. Para alegria de um pouco mais 3 milhões de “guebuzineses”, meus irmãos nacionais. Mas para o desagrado, muita dor e escândalo, desprezo até, da maior parte da população que, por alguma carga de água, abdicou de exercer o seu direito de voto, além dos que votaram noutros partidos.
É, sem dúvida, alarmante o número das abstenções somadas aos votos nulos. Para a vergonha dos vencedores que o são, porque têm como fiéis servidores, na sua mão direita, o Poder económico e religioso e, na esquerda, as instituições do Estado e os seus respectivos vassalos cientificamente concebidos e preparados para cantar hossanas e executar todas as dementes decisões.
Ainda, no seu generalizado subdesenvolvimento político moçambicano e até mesmo exagero e cegueira partidária, há quem não vá entender patavina dessa vitória retumbante. Pelo contrário, continuará a pensar que a verdade está com o vencedor e, por essa razão, dentro de alguns dias, vai-se assistir aos indivíduos sem espinhas dorsais a felicitar, aclamar e correr atrás de favores do vencedor. Numa palavra, agastados por comer até à náusea, xima com cacana, eles se venderão por um prato de arroz com feijão.
Evidentemente, os parabéns, os aplausos, o champanhe, os vivas, hossanas irão para o vencedor. E, para os vencidos, obviamente, só lhes restará insultos e escárnio e até abandono.
Ninguém se lembrará das promessas feitas na campanha eleitoral, que veio desaguar nas eleições de 28 de Outubro. Promessas essas que não têm nenhuma garantia de virem a ser cumpridas a curto, médio e longo prazo, nem pelos que venceram as eleições passadas, nem, muito menos, pelos que lhes sucederem o trono. Ninguém nos garante que semelhantes promessas venham a ser efectivamente concretizadas. O que algumas pessoas não querem entender é que os seus pseudo-políticos profissionais são todos compulsivamente mentirosos e corruptos, especialistas em ampliar os seus negócios à custa do suor e da dor do povo e, ainda como se não bastasse, se farão passar por benfeitores aos moçambicanos.
Face a essa situação, o que faz o povo? Nada. Excessivamente nada. Ou seja, faz o pior: continua desenfreadamente a votar neles e a respeitá-los, em lugar de lançar plásticos cheios de dejectos sobre eles.
Tudo que nos é dado a ver, até ao enjoo, inequivocamente, é Corrupção e Perversão Organizada em todo o seu esplendor.
A maioria absoluta, contrariamente ao que pensam alguns cérebros formatados que se regozijam com isso, significa o desaparecimento da Política praticada de forma maiêutica pelo Povo e, no seu trono, indubitavelmente, ficará o Poder-Político-Partido-Corrupto e o seu pai e a sua mãe Hipocrisia e Mentira, respectivamente.
Não demorará para que o Parlamento se torne num covil de mercenários sem escrúpulos nenhuns preocupados em fechar grandes negócios para engrandecimento das suas empresas criadas, propositadamente, para lavar dinheiro sujo.
Com a maioria absoluta, só haverá exploração, opressão, repressão, dominação, ostracismo e até excomunhão. Não haverá lugar para o Povo. Sem dúvidas. O Povo não terá voz nem vez. Veremos seres miseráveis de mão estendida a vida inteira. Metam isto na cabeça e, se for possível, no âmago do vosso coração.
É bastante duro o que acabo de dizer, não é? Claro que sim. Mas quem disse que a Verdade é ossinho fácil de roer? Alguma vez a Verdade foi suave? Na verdade, a Verdade é papinha dificil de engolir.
Vejam Moçambique de forma desapaixonada como eu de vez em quando o vejo e verão a realidade invisível aos olhos dos tolos e pobres de espírito que nem sequer conseguem ver a cordilheira à frente dos olhos, mesmo que as montanhas lhes caiam por cima e lhes esmaguem, são incapazes de ver.
Portanto, parabéns aos meus compatriotas. Parabéns pela escolha mais do que acertada. Há que reconhecer. Parabéns! Aos vencidos, preparem-se melhor a todos os níveis, se não querem voltar a engolir camelos. Até 2014.
Amo-vos muito, meus conterrâneos nacionais!
Fiquem com a minha paz.
Vosso irmão, SHIRANGANO.





7 comentários:
Irmão Shirangano - aceitando a tua proposta,
O que 'acabas' de escrever é duro de facto - o que é típico de verdades negativas.
Mas noto uma posição diferente em ti: aceitas o resultado sem questionares a sua origem. De facto, alguns irmãos dizem - mas não sei se realmente acreditam - que os resultados foram uma invenção do árbito-marionete da FRELIMO. O que tu questionas, diferentemente deles, é a escolha catastrófica dos teus irmãos que votaram na FRELIMO e em Guebuza. Tu 'acordas' esses irmãos para verem o país desapaixonadamente; 'acorda-los' para verem a verdade picante. Ora, alguns potenciais votantes, possivelmente apoiantes da FRELIMO, questionam se será menos verdade que os problemas que apontas acabarão se um outro partido dirigir o país. Mas confesso-te que ouvi isso de somente 2 ou 3 irmãos em ocasiões diferentes...
E eu o que digo? Digo que, apesar de pensar que o MDM tenha pontos atraentes e exequíveis no seu manifesto, fiquei estupefacto pela capacidade que Daviz Simango, por quem tenho admiração, teve de provocar aplausos - talvez irracionais - para si. Por exemplo, apontava um problema real para o qual não apresentou soluções convicentes. Falava dos jovens graduados da 12a classe desempregados e que vendiam amendoim, e as pessoas batiam palmas... Honestamente, esperava solução para este problema muito sério - em princípio uma solução melhor do que a FRELIMO tem dado...
Isto são apenas pontinhos dum possível debate amplo...
Força, irmão!
Ainda que eu não entenda muito bem disso, concordo contigo em relação ao possível perigo da maioria absoluta no Parlamento - sublinhe-se 'possível'. A outra possibilidade é que aconteça que não 'queremos' acreditar - que a FRELIMO sirva ao 'povo' mais seriamente para não trair a sua confiança. Mas, este debate parece-me inútil. É um debate 'a posteriori'. Com voto secreto, acho que cada votante não imagina a força que o seu voto terá no universo dos outros votos. Pelo contrário, se pudéssemos ver a tendência global dos votos, o cenário poderia ser outro. Acho que foi isso que aconteceu na França, há anos, quando Le Pen foi à Segunda Volta. Possivelmente, os que votaram nele na Primeira Volta deixaram de o fazer na Segunda.
Meu irmão Eurico,
Trato todos os meus compatriotas por irmão, portanto se és um deles, esteja à vontade independentemente dos seus apetites partidários.
Ainda bem que concordas o facto da linguagem ser dura, mas lamento quando afirmas que é típico de verdades negativas, o que mostra à partida que o meu irmão Eurico afinal de contas não está em cima do “muro” como enganosamente pretende transmitir.
Até que a sua análise se poderia considerar um razoável exercício de opinião não fosse as suas motivações, as mesma que te levaram a concluir que se trata de uma verdade negativa.
Creio que, para ti, o simples facto de eu não ter dito explicitamente que a actual vitória da Frelimo e o seu candidato é resultado das habituais e habilidosas fraudes, trata-se de uma verdade positiva.
Ao longo do meu texto falo de vários aspectos que o ajudariam a perceber a essência da minha intervenção, particularmente quando convidou aos meus conterraneos nacionais a verem a pátria amada desapaixonadamente. Mas por alguma carga de água, o mano Eurico simplesmente ignorou.
Em momento algum afirmei que os problemas levantados por mim, evaporarão caso outro partido político venha a dirigir esta Perola do Índico. Pois ainda tenho consciência de que a primeira coisa que esses políticos profissionais invariavelmente irão fazer é acumular riqueza como habilmente fazes os actuais pseudos-políticos.
Quanto à maioria absoluta no Parlamento, reflecte a minha opinião pessoal, sobretudo, o meu receio sobre o que o futuro nos reserva. Portanto, também concordo contigo quando dizes que é um debate “a posterior”.
Num afecto e num abraço.
Irmão Shirangano,
De facto, sou teu compatriota e patriota. Suponho que tenha usado uma expressão (verdade negativa) passível de ser compreendida de maneiras diversas. Com ela, quis simplesmente dizer que há verdades que gostamos de ouvir (verdades positivas) e outras que não gostamos (verdades negativas). As verdades negativas são duras de facto. Foi somente isso que quis dizer.
Abraço irmão,
Eurico e Shira, nas democracias Africanas o voto não determina quem deve assumir o poder ném representa efectivamente a vontade da maioria ou menoria, algo me manda dizer que as abstenções vão aumentando mandato pos mandato. esse é um facto, na verdade não pelo facto de os muçambicanos serem mercenáios como um comentarista político tentou dar entender na TVM mas sim porque o voto não significa nada! em África o mais forte finaceira e do ponto de vista militar é o mais organizado e o único capaz de governar o País. Por isso: FRELIMO E GUEBUZA HOEEEEE...............
Democracia em Africa eh tudo fachada para os doadores verem e continuarem a drenar dinheiro.
Chega de brincarmos a democracia!
Muito obrigado, meus manos!
Meu caro SHIRANGANO, ate 2014. Mais um mandato, mais dinheiro e carros para novos e antigos deputados e ministros e directores nacionais, mais pobreza para o povo que votou. Ate 2014....
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